O Mundial de 2025 já pode ser considerado um dos mais marcantes de toda a história do speedcubing, pois foi repleto de disputas emocionantes, resultados inesperados e desempenhos impressionantes. O evento sediado em Seattle consagrou novos campeões, emocionou fãs ao redor do mundo e mostrou que o nível técnico da modalidade está mais alto do que nunca. Entre todos os momentos memoráveis, nenhum foi tão impactante quanto a grande final do 3×3, que envolveu uma sucessão de acontecimentos dignos de um roteiro cinematográfico.
O Contexto Histórico do Mundial
O Campeonato Mundial de Cubo Mágico acontece a cada dois anos, sendo a competição mais importante do cenário global. Desde 2003, quando foi realizado o primeiro Mundial, apenas doze edições foram disputadas. A de 2025, em Seattle, foi a terceira sediada nos Estados Unidos e contou com uma organização impecável e uma estrutura que atendeu às expectativas de cubistas, técnicos, espectadores e entusiastas do mundo inteiro.
Feliks Zemdegs, considerado por muitos o maior de todos os tempos, foi o primeiro bicampeão mundial ao vencer as edições de 2013 e 2015, sendo que esta última foi realizada em São Paulo, no Brasil. Depois dele, Max Park conquistou seu lugar na história ao vencer o Mundial de 2017 e repetir o feito em 2023, na Coreia do Sul. Naquela ocasião, o jovem Yiheng Wang quase venceu a competição, perdendo o título para Max por apenas 0.01 segundo. Desde então, Yiheng se consolidou como o principal nome do speedcubing mundial, embora ainda muito jovem.

Expectativas para o Mundial de 2025
A chegada do Mundial de 2025 veio acompanhada de uma atmosfera de grande expectativa, já que o cenário mundial indicava um domínio chinês no 3×3. Assim, o favoritismo recaía sobre nomes como Yiheng Wang, Xuanyi Geng, Qixian Cao e Bofan Zhang — todos muito jovens, mas com desempenhos impressionantes. No entanto, a concorrência era feroz, com nomes experientes como Tymon Kolasinski, Matty Hiroto Inaba, Luke Garrett e, claro, os veteranos Max Park e Feliks Zemdegs prontos para surpreender.

Com tantos talentos reunidos, o clima era de imprevisibilidade. A cada rodada, novos favoritos surgiam, e o público pôde presenciar uma competição intensa desde os primeiros momentos. O sistema de rodadas eliminatórias tornou tudo ainda mais tenso, e chegar à grande final era, por si só, uma conquista significativa.
O Caminho Até a Final
As primeiras rodadas foram, como de costume, dominadas pelos principais nomes da elite do speedcubing. No entanto, foi na semifinal que a verdadeira tensão começou a tomar forma. Apenas os 16 melhores cubistas avançariam à final, e cada solve contava. O nível da competição era tão alto que uma média de 6.20 segundos, feita por Kyle Santucci, não foi suficiente para garantir vaga, já que ele ficou fora da final por meros dois centésimos de segundo.
Entre os classificados estavam nomes como Matty Hiroto Inaba, Teodore Zajder (de apenas 8 anos), Seung Hyuk Nahm (em sua quarta final consecutiva), Qixian Cao, Luke Grisser e, naturalmente, os três favoritos: Yiheng, Xuanyi e Tymon. Feliks Zemdegs, para decepção dos fãs, ficou de fora da final pelo segundo Mundial seguido.
A Grande Final
A final foi disputada no formato head-to-head, em que dois competidores se enfrentam por vez, seguindo a ordem inversa da classificação na semifinal. Com os mesmos cinco embaralhamentos para todos, o formato permite acompanhar ao vivo a liderança sendo assumida — e perdida — solve após solve, criando um clima de tensão constante.
Matty Hiroto Inaba foi o primeiro a assumir a liderança com uma média excelente de 5.47 segundos. Teodore Zajder, o pequeno prodígio, surpreendeu com uma média de 5.50, ficando em sexto lugar — um resultado impressionante para sua idade. Qixian Cao ultrapassou Matty ao fazer 5.43, demonstrando frieza e talento na final, o que a levou a ocupar temporariamente o primeiro lugar.
Enquanto isso, Luke Garrett enfrentou dificuldades inesperadas. Um corte no dedo, ocorrido pouco antes da final, resultou em sangramento que afetou sua performance. Max Park, por sua vez, não conseguiu repetir sua performance de 2023. Com média de 5.92, ficou na décima posição. Mesmo assim, o fato de dez finalistas terem feito médias abaixo de 6 segundos mostra o quão competitivo o cenário atual está, e como os tempos estão cada vez mais próximos da perfeição.
O Pódio Mais Rápido da História
Tymon Kolasinski entrou na penúltima dupla e elevou o nível da final ao fazer uma média de 4.98 segundos, assumindo a liderança com folga. Era um tempo que, em quase qualquer outro Mundial, teria garantido o título. No entanto, os dois últimos a se apresentar ainda estavam por vir: Xuanyi Geng e Yiheng Wang.
Xuanyi começou com um tempo abaixo de 5 segundos e manteve um desempenho impressionante ao longo da média, terminando com 4.49 — quase meio segundo mais rápido que Tymon. O público ficou em êxtase e muitos acreditaram que o título já estava decidido. Contudo, Yiheng Wang ainda tinha uma carta na manga.
Apesar de começar mal, ele não se deixou abalar. Com duas solves abaixo de 4 segundos — algo praticamente impensável até pouco tempo atrás — Yiheng garantiu uma média de 4.23 segundos. Essa foi a melhor média já feita em uma final de Mundial, acompanhada pelo melhor single da história do evento. Sua performance foi simplesmente inacreditável, consolidando sua posição como o melhor do mundo, e impressionando todos que assistiam.
O pódio ficou completo com Xuanyi em segundo e Tymon em terceiro. A soma dos tempos dos três primeiros foi de apenas 13.7 segundos, com uma média interna de 4.56 — o pódio mais rápido já registrado na história do speedcubing, o que reforça ainda mais a evolução do esporte.
O Que Esperar do Futuro
Com a sede do Mundial de 2027 já confirmada na Suécia, todos se perguntam o que o futuro reserva. Será que Yiheng conseguirá repetir o feito e igualar os dois títulos mundiais de Feliks e Max? Ou algum dos atuais finalistas poderá surpreender e tomar seu posto? Talvez até uma nova promessa, ainda desconhecida, possa surgir até lá, mudando completamente o cenário atual.
Independentemente do que acontecer, o Mundial de 2025 já entrou para a história. E a final do 3×3 foi, sem dúvida, um marco que dificilmente será esquecido pelos fãs do cubo mágico ao redor do mundo.










